A cidade de Mucuri, no extremo sul da Bahia, encerra mais um ano envolta em um cenário preocupante. Conhecida por décadas como um dos destinos mais procurados do litoral baiano e referência em grandes festas de Réveillon, o município decidiu cancelar as comemorações de fim de ano, alegando a necessidade de priorizar serviços essenciais e o pagamento dos servidores públicos diante de um quadro de dificuldades financeiras.
A justificativa oficial, no entanto, não tem convencido a população. Para moradores e comerciantes, a decisão escancara a falta de planejamento e de visão estratégica da gestão municipal, especialmente por atingir diretamente o setor que historicamente sempre garantiu retorno rápido à economia local: o turismo.
Mesmo reconhecida por sua capacidade de arrecadação, Mucuri abriu mão de investir justamente no período mais importante do ano para hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e prestadores de serviço, que dependem do fluxo de turistas para equilibrar as contas. O reflexo é imediato e visível: praias vazias, comércio parado e prejuízos acumulados.
A Prefeitura atribui o cancelamento à redução de receitas, aos impactos da Reforma Tributária e a dívidas judiciais herdadas. Ainda assim, crescem os questionamentos sobre a ausência de alternativas, parcerias ou ao menos uma programação básica que mantivesse a cidade atrativa durante o verão. Para muitos, o discurso financeiro não explica o abandono estrutural nem a total falta de iniciativas para estimular o turismo.
Antes famosa por grandes shows e por uma virada de ano que movimentava toda a região da Costa das Baleias, Mucuri hoje vive um cenário de isolamento e esquecimento. Sem eventos, não há turistas; sem turistas, não há consumo; e sem consumo, a economia local entra em colapso.
O sentimento predominante é de frustração. Comerciantes cobram respostas mais claras e soluções concretas, enquanto moradores se perguntam até quando a cidade continuará parando justamente no momento em que deveria crescer. A crítica que ecoa nas ruas é direta: investir em turismo não é gasto, é investimento — e a própria história de Mucuri sempre foi a maior prova disso.

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