Teixeira de Freitas (BA) — O domingo, 21 de abril de 2025, marcado pela celebração da Páscoa, foi também o dia mais doloroso para a família de Davi. Após nove dias de buscas intensas e orações, o corpo do adolescente foi encontrado no Rio Alcobaça, encerrando uma espera angustiante que mobilizou toda a cidade.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Liberdade, concedida após o sepultamento do filho, os pais do jovem, srº Gilvan e sua esposa, falaram com profunda emoção sobre a luta que viveram, sobre quem era Davi, e deixaram um forte apelo a todos os pais da região.
"Meu Deus, eu lutei naquele rio, eu gritava, eu procurava, eu fazia tudo o que podia… mas sentia que era pouco. Eu me senti impotente. Mas não podia parar. Era o meu filho", contou o pai, que esteve todos os dias nas margens do rio, junto aos bombeiros e voluntários.
Segundo eles, Davi era um adolescente amoroso, responsável, trabalhador e obediente. "Até pra ir ao cinema ele pedia permissão. Sempre ligava: 'Posso ir na pizzaria com meus amigos, mãe?'", relatou o pai, emocionado.
A mãe, com a dor ainda estampada no rosto, lembrou do carinho e da dedicação do filho.
"Hoje é raro ver um filho obediente. O meu era. Trabalhava desde os 10 anos, estudava, ajudava, era carinhoso. Ele era o meu orgulho. Eu ainda tinha esperança de encontrá-lo com vida. Dói demais".
Ela também fez um alerta emocionado:
"Pais, prestem mais atenção. Às vezes dizer 'não' é livramento. Seja mais presente, leve seu filho, acompanhe. Meu filho foi pro rio sem saber nadar. Confiou em quem não devia. Isso não era pra ele."
Mesmo em meio à dor, o casal demonstrou gratidão. "O Corpo de Bombeiros foi incansável. Eu vi com meus próprios olhos: bombeiros arriscando a vida, inalando gás, lutando pra encontrar meu filho. Mas falta estrutura. Eles precisam de helicóptero, de reforço. O governador precisa olhar por isso."
Por fim, srº Gilvan fez um apelo comovente:
"O bem mais precioso que a gente tem são os filhos. Não é carro, não é casa. Trabalhar é importante, mas o tempo com eles vale mais. Eu me arrependo de não ter levado meu filho pra passear, pra viver mais com ele. Hoje, daria tudo pra ter ele aqui."
O sepultamento de Davi aconteceu no cemitério da cidade, acompanhado por amigos, familiares e membros do 18º BPM, em clima de muita dor e comoção. A cidade inteira se solidarizou com a família e refletiu sobre o valor da vida, do cuidado e da presença.
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