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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026

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Ex-auditor da “Máfia do ISS” preso em Mucuri fala pela primeira vez após forjar a própria morte: “Foi um ato desesperado de um pai”

Em entrevista exclusiva a Beto Ramos, da Rádio Abrolhos FM de Mucuri, ex-auditor condenado em São Paulo admitiu ter forjado a própria morte e disse que agiu por desespero de pai.

Ex-auditor da “Máfia do ISS” preso em Mucuri fala pela primeira vez após forjar a própria morte: “Foi um ato desesperado de um pai”
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O ex-auditor fiscal Arnaldo Augusto Pereira, condenado por envolvimento em um dos maiores esquemas de corrupção tributária da cidade de São Paulo — conhecido como “Máfia do ISS” —, foi preso nesta semana no município de Mucuri, no extremo sul da Bahia, após forjar a própria morte para tentar escapar de uma condenação de 18 anos de prisão.

Em entrevista exclusiva ao repórter Beto Ramos, Arnaldo admitiu ter adquirido um atestado de óbito falso “num momento de desespero”, afirmando que o gesto foi motivado pela vontade de permanecer próximo dos filhos.

“Adquiri um atestado de óbito num movimento de desespero de um pai que tem dois filhos pequenos e quer ver os filhos crescerem. Foi um ato extremo, um erro, mas não foi por maldade”, disse Arnaldo durante a conversa na Delegacia de Polícia Civil de Mucuri.

“Não vivi com documentos falsos”

Durante a entrevista, o ex-auditor negou ter utilizado identidade falsa nos quatro anos em que viveu em Mucuri.

“Todo mundo aqui na cidade me conhece pelo meu nome normal. Moro aqui desde 2021, nunca usei outro nome”, afirmou.

Arnaldo confirmou ainda ser natural de São Paulo e ter 58 anos.

Condenação e defesa

Questionado sobre a participação no esquema da “Máfia do ISS”, Arnaldo negou envolvimento direto e afirmou ter sido absolvido nesse processo específico. Segundo ele, sua condenação está relacionada a um caso ocorrido em Santo André, no ABC paulista, quando era secretário de Orçamento e Planejamento.

“Fui absolvido da máfia do ISS, mas condenado por um caso em Santo André. Lá, recebi um valor indevido, confessei o erro, mas não era dinheiro público. Foi uma negociação irregular, sim, mas não uma propina ligada à prefeitura”, declarou.

Ele explicou que o valor envolvido foi de R$ 1,1 milhão, e não os R$ 500 milhões atribuídos ao rombo da máfia do ISS.

“Esse valor de 500 milhões é o rombo do esquema em São Paulo, nada a ver comigo. O que eu recebi está declarado e os bens já foram leiloados para ressarcir a empresa”, disse.

“Foi um ato de amor desesperado”

Visivelmente emocionado, Arnaldo pediu perdão aos filhos e disse que a decisão de forjar a morte foi movida pelo desespero.

“Peço perdão aos meus filhos. Isso foi um ato de amor desesperado, porque eu queria vê-los crescer. A pena que recebi me pareceu desproporcional diante de tantos crimes graves que recebem punições menores”, afirmou.

Tratamento da polícia

O ex-auditor elogiou o tratamento recebido pelas forças policiais baianas durante a prisão.

“Tanto a Polícia Militar quanto a Civil e o delegado daqui me trataram super bem. Fui respeitado. Se todos fossem tratados assim, o Brasil seria diferente”, disse.

Prisão preventiva

Segundo ele, a prisão atual é preventiva, e não o cumprimento da sentença definitiva.

“Ainda não há trânsito em julgado. Estou preso preventivamente e sei que o ato que cometi não é bem visto. Agora estou com a justiça e vou cumprir o que for determinado”, declarou.

“Não me julguem”

Ao final da entrevista, Arnaldo fez um apelo ao público de Mucuri, cidade onde vivia há quatro anos.

“Peço que não me julguem. Foi um erro, sim, mas um erro movido pelo amor aos meus filhos. As pessoas aqui me conhecem, sabem que fui um bom pai e quero apenas que entendam o motivo dessa atitude drástica.”

A prisão de Arnaldo Augusto Pereira foi resultado de uma ação conjunta entre o Ministério Público da Bahia, Gaeco-Sul, Polícia Civil e Polícia Militar, em cooperação com o MP de São Paulo. O caso segue repercutindo em todo o país e deve ser tema de uma reportagem especial no programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo.

FONTE/CRÉDITOS: Reportagem de Beto Ramos / Matéria de Vandilson Reis
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