A montadora Toyota foi condenada pela Justiça do Trabalho a indenizar em R$ 238 mil um ex-líder de equipe que sofreu xenofobia e assédio moral no ambiente de trabalho. A decisão foi mantida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que entendeu que a empresa foi omissa diante das denúncias apresentadas pelo funcionário.
Segundo o processo, o trabalhador, que atuou por cerca de 20 anos na empresa, era alvo constante de ofensas relacionadas à sua origem baiana praticadas por um subordinado. Mesmo após o registro de 15 reclamações formais e a apresentação de laudos médicos que apontavam o agravamento de seu estado de saúde, a empresa não adotou medidas eficazes para conter as agressões.
A perícia judicial concluiu que o ex-funcionário desenvolveu um quadro de depressão grave com sintomas psicóticos em decorrência do ambiente de trabalho. Durante uma audiência, ele chegou a sofrer uma crise de ansiedade e precisou ser atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
As investigações também identificaram que o mesmo empregado acusado de praticar xenofobia contra o chefe teria cometido atos de racismo contra outro colega de trabalho. Testemunhas relataram que o subordinado desrespeitava constantemente a hierarquia da empresa e fazia comentários preconceituosos contra nordestinos e pessoas negras.
Ao manter a condenação, o Tribunal Superior do Trabalho considerou que a Toyota tinha conhecimento das práticas de assédio moral, da xenofobia e do adoecimento psicológico da vítima, mas não tomou providências para impedir a continuidade das agressões. A Corte também destacou que, enquanto o trabalhador foi posteriormente demitido, o funcionário apontado como responsável pelas ofensas permaneceu na empresa.
Para os magistrados, o valor da indenização é proporcional à gravidade das violações e à capacidade financeira da montadora.
Fonte: Correio24Horas
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