O município de Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, vive uma das piores crises financeiras de sua história. Segundo levantamento divulgado em setembro pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN), o município acumula uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão. Apesar de ter conseguido quitar cerca de R$ 190 a R$ 250 milhões entre 2021 e 2024, a administração ainda não consegue equilibrar as contas e admite risco de colapso.
De acordo com dados oficiais, existem mais de 6 mil processos judiciais cobrando a Prefeitura, incluindo precatórios milionários, ações trabalhistas e dívidas previdenciárias. Parte significativa da arrecadação municipal é bloqueada todos os meses por decisões judiciais, o que compromete investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
A situação fiscal de Mucuri é reflexo de uma realidade mais ampla na Bahia: mais de 70% dos municípios estão em dificuldade financeira, segundo a FIRJAN. Mas no caso de Mucuri, o peso do passivo herdado de gestões anteriores e a falta de medidas eficazes para reverter o quadro colocam o município em posição ainda mais delicada.
Moradores relatam dificuldades no atendimento básico: falta de medicamentos, precariedade no transporte escolar e atrasos em serviços essenciais. Enquanto a Prefeitura afirma estar empenhada em pagar as dívidas e reorganizar as contas públicas, cresce a pressão por respostas mais concretas e ações que tragam alívio imediato à população.
Com um passivo bilionário e serviços comprometidos, Mucuri se torna exemplo de como a crise fiscal baiana atinge em cheio os municípios e penaliza, principalmente, a população que mais depende do poder público.

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