A Bahia aparece entre os estados com menor índice de esclarecimento de homicídios no Brasil. De acordo com o estudo Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sou da Paz, apenas 14% dos assassinatos registrados entre 2020 e 2023 resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público. O estado ocupa a penúltima colocação no ranking nacional, ficando à frente apenas do Rio Grande do Norte.
O levantamento destaca que, além de liderar o número de mortes violentas intencionais no país, a Bahia enfrenta dificuldades para identificar e responsabilizar os autores dos crimes. Especialistas apontam que fatores como o elevado número de homicídios, a atuação de facções criminosas, o uso predominante de armas de fogo e a alta letalidade policial tornam as investigações mais complexas.
Um dos casos de maior repercussão sem solução é o assassinato do casal de influenciadores Rodrigo da Silva Santos, conhecido como "DG Rifas", e Hynara Santa Rosa da Silva, a "Naroka". Eles foram mortos a tiros em dezembro de 2022, em um condomínio de Barra de Jacuípe. Apesar da ampla repercussão e das investigações realizadas pela Polícia Civil, o crime segue sem conclusão.
Outro caso citado é o do estudante Micael Silva Menezes, de 11 anos, morto durante uma operação da Polícia Militar no bairro Vale das Pedrinhas, em Salvador, em junho de 2020. O inquérito passou a ser tratado como homicídio apenas em 2024, por determinação do Ministério Público, mas acabou arquivado por falta de provas.
Em 2023, a Bahia registrou 6.578 Mortes Violentas Intencionais (MVI), o maior número absoluto do Brasil. A taxa foi de 46,5 homicídios por 100 mil habitantes, a segunda maior do país, ficando atrás apenas do Amapá. O estudo também aponta que 83% dos assassinatos no estado foram cometidos com armas de fogo, enquanto uma em cada quatro mortes violentas ocorreu durante intervenções policiais.
Segundo os pesquisadores, o cenário de disputa entre organizações criminosas, aliado à escassez de testemunhas e à dificuldade na produção de provas, reduz significativamente as chances de elucidação dos homicídios e de responsabilização dos envolvidos.
Fonte: Correio24Horas
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